Posted by: Simone Talarico Ross | July 9, 2007

Live Earth & Tree Hugers

Sábado, além de ter sido o dia prá jogadores de todo mundo tentarem a sorte – inclusive alguns noivos! – também foi o dia em que cerca de 2 bilhões de pessoas pararam prá pensar – espero eu! – em como podem contribuir, localmente, para ajudar a solucionar a crise do aquecimento global.

O evento, intitulado, “Live Earth, The concerts for a climate in crisis“, teve palcos oficiais em 9 cidades de oito países: Nova Iorque e Washington, nos Estados Unidos; Londres, na Inglaterra; Sidnei, na Austrália: Rio de Janeiro, no Brasil; Joannesburgo, na África do Sul; Tokio, no Japão; Shanghai, na China; e Hamburgo, na Alemanha.

Eu não sei se, no Brasil, o evento teve um grande impacto ou não, mas aqui, Al Gore (ex vice-presidente, que já há algum tempo vem empunhando a bandeira dessa crise) tem conseguido chamar a atenção. Até mesmo um governador que pertence ao partido oposto ao de Gore, Arnold Shwarzeneger, aqui da Califórnia, tem proposto algumas leis para diminuir a emissão de CO2 na atmosfera.

Aliás, sempre fui muito consciente, ecologicamente falando, desde bem nova. Apesar de ser chamada pelo meu marido de Tree Huger (é prá ser considerado uma ofensa, mas eu gosto do título!) somente porque eu reuso o lado oposto dos papéis para rascunho, fecho a torneira quando estou escovando os dentes, apago as luzes quando saio dos cômodos, não aceito colocar minhas compras em sacola de plástico – escolho a de papel (é, aqui você pode escolher) e se é somente uma coisa pequena, sempre neguei (coloco direto na minha bolsa) e vivo reclamando de tanta porcaria da China que a gente compra que só dura dois meses e que vai parar nos lixões – nada contra a China, por favor! – percebi que aqui, nos Estados Unidos, o país que se negou a assinar o Protocolo de Kioto (porque se os fizessem, eles iriam cumprir!), eu vejo muito mais ações, no dia-a-dia das pessoas em termos de reciclar e debater o assunto, do que via no Brasil!

É claro que é quase moda, agora, ser ecologicamente correto. Arrisco até a dizer que os Media Training de celebridades e de empresas com certeza estão incluindo o assunto em suas pautas. E também sei que o Brasil é o segundo país em número de reciclagem de alumínio, mas também sei que isso não é porque todo mundo separa suas latinhas e sim, por causa da geração de renda, que muitas vezes é a única que alguns brsileiros tem.

Mas dá uma olhada nisso. Há 20 anos, por aqui, se você compra uma garrafa de plástico, alumínio ou vidro, você paga, de cinco à dez centavos no que aqui é chamado de California Redemption Value. Se você quiser os seus centavos de volta, você tem que entregar suas garrafas num cento de reciclagem. Quer mais? Todas as casas são obrigadas a ter três grandes vasilhas de lixo (na foto, as nossas) onde você coloca: na cinza, papéis e afins; na de tampa vermelha, o lixo orgânico (da cozinha, banheiro, etc); e na verde, folhas e grama, que todo mundo aqui tem prá cortar.

Mais? Todo mundo fala que só o Brasil tem carro movido a álcool, que todo mundo tá tentando copiar nossa tecnologia, blá, blá, blá. Sem desmerecer os bravos brasileiros que viram na crise do álcool, nos anos 70, uma oportunidade para investir numa opção ecológica, aqui tem carro movido a álcool proveniente de milho, há os Hybrids por todo lado (que são movidos a gasolina e bateria) e em breve vai chegar ao mercado os carros movidos a hidrogênio (retirado da famosa molécula H2O, é isso mesmo, água! E não precisa ser potável, não!). Além disso, se você dirige com pelo menos duas pessoas no seu carro, tem direito a usar uma pista onde o tráfego é muito mais rápido! Tudo prá estimular os sujeitos a irem para o trabalho fazendo uma espécie de rodízio de quem vai dirigir.

E há muito mais prá se falar, e quem sabe, copiar. O cuidado que se tem aqui prá evitar a poluição das águas chega a ser, prá mim, excessivo. Mas já começo a entender certas coisas que antes eu nem pensaria em evitar. Só prá terminar, ilustrando uma dessas: se você lava o seu carro em frente de casa, você tem que usar uma espécie de filtro embaixo do carro, para que toda a química dos produtos que você está utilizando não escorra para a rua, e de lá para um rio ou o mar. Mesmo sabendo que, aqui, só é jogado esgoto nos rios ou mares, depois de tratados! Isso quando a água, já tratada, não é reutilizada! Quer mais???


Responses

  1. […] de latas de lixo diferentes para cada tipo de lixo, como mostrei aqui, além de ter trocado as lâmpadas de casa há anos por aquelas mais eficientes energeticamente […]


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