Posted by: Simone Talarico Ross | October 16, 2007

Polícia na Califórnia

Vindo de uma cidade como a do Rio de Janeiro, uma das coisas que mais me impressiona por aqui é a educação dos policiais. Prá mim, educação e respeito não cabiam na mesma frase onde a palavra policial aparecia! Pessoalmente, tive algumas experiências com estes profissionais no Brasil tão desrespeitosas e ouvi tantas outras de amigos, que fica difícil desenvolver outro tipo de sentimento quanto a estes profissionais que não repugnância, desrespeito, e até mesmo medo. Claro que, concordo plenamente que em toda categoria profissional há os disonestos, os de má índole, os insensíveis, os incompetentes, etc, mas é difícil aceitar que profissionais que deveriam trabalhar defendendo a população são, na verdade, muitas vezes, ameaça a essa mesma população!

De qualquer forma, a única experiência que tive aqui foi uma vez em que eu e meu marido estávamos na estrada onde há uma pista reservada para carros que tenham mais de uma pessoa. Essa pista existe em algumas estradas para estimular as pessoas a dirgirem para o trabalho com colegas, uma tentativa de diminuir o número de carros por aí.

Essa pista especial é chamada de “carpool lane” ou também “diamond lane” e acaba sendo, geralmente, mais rápida, então sempre que estamos juntos tentamos usá-la. Mas acontece que esta pista não é aberta todo o tempo. Há alguns momentos em que é permitido entrar nela. Mas a separação entre esta e as outras pistas, algumas vezes, é feita tão somente com uma dupla linha amarela contínua. Quando ela passa a ser “quebrada” é permitido entrar.

Bem, meu marido, Robert, resolveu entrar nesta pista quando não era permitido no momento errado, porque um policial de moto o viu e veio bem do lado dele. Aqui eles têm um microfone – acho que embutido no capacete – e há um megafone, então dá prá ouvir perfeitamente o que ele está falando.

Eu gelei e o Robert, de branco, ficou azul! Mas, o policial foi bastante educativo e educado. Ele explicou que o que acabamos de fazer era errado e perigoso, afinal os carros desta pista não estão esperando que alguém entre lá, etc. Então, nos disse quanto seria a multa pelo acontecimento – cerca de 300 dólares! -e pediu que nós não repetíssemos isso mais! Tudo o que ele dizia era sempre prefaciado com “o senhor isso”, “os senhores aquilo”. Vocês conseguem imaginar minha surpresa?

E não sentimos somente alívio mas, acredite, a atitude do oficial foi bastante efetiva pois o Robert nunca mais fez isso!

Eu sei que por aqui, principalmente em áreas onde há gangues, os policiais também perdem a linha. Há histórias horríveis. Mas, quando acontece, dá em todo jornal, e o policial é julgado e punido mesmo! No Brasil, esse tipo de atitude já é tão comum que só aparece na mídia quando o número de vítimas é muito grande e, geralmente, a impunidade ganha.

Ainda não tive a oportunidade de assistir o filme “Tropa de Elite”, mas alguns amigos no Brasil, e muitas resenhas que tenho visto sobre o filme, são unânimes em afirmar que retrata a realidade brasileira. Triste informação.

*Na foto, uma “carpool lane”. Observe a dupla linha amarela, indicando que não é permitido entrar naquela pista neste momento.


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