Posted by: Simone Talarico Ross | March 16, 2009

Obama e Lula juntos

O encontro do presidente americano Barack Obama e do brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no sábado na Casa Branca, parece ser carcterístico da mudança que Obama prometeu em sua campanha.

Apesar de ter sido honesto em não ceder à algumas solicitações do presidente brasileiro, Obama tem uma postura diferente do presidente anterior, George W. Bush. Ele está ouvindo outras lideranças. O que já é um grande passo. Coloco a seguir a análise do professor Nelson Franco Jobim, com a qual concordo plenamente.

O presidente brasileiro pediu o fim do embargo econômico dos EUA à Cuba, que já dura 47 anos, e mandou uma mensagem conciliadora do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Desde que as relações entre Washington e Caracas se deterioraram, por causa do apoio do governo George W. Bush ao golpe de Estado de 11 de abril de 2002, Lula é o principal interlocutor entre os EUA e a Venezuela. Os EUA, por sua vez, contam com o Brasil como intermediário nas relações com os governos da chamada esquerda radical, notoriamente antiamericanos, de Chávez, na Venezuela; Evo Morales, na Bolívia; e Rafael Correa, no Equador. Morales acaba de expulsar o terceiro diplomata americano em meses.

Lula terá mesmo muito trabalho para reconciliar o que às vezes parece inconciliável. Em menos de dois meses de governo, Obama reduziu as restrições para viagens e remessas de dinheiro para Cuba, ou seja, tomou medidas positivas em relação à ilha. O que faz o recém-criado Conselho de Defesa da América do Sul? Exige que os EUA suspendem o embargo econômico a Cuba.

Ora, superpotências não gostam de ser pressionadas e colocadas contra a parede. Nestes casos, a tendência é não ceder, já que isso poderia ser considerado um sinal de fraqueza. Durante a Guerra Fria, o Ocidente vivia pressionando a União Soviética a libertar seus dissidentes mais famosos, como o físico Andrei Sakharov e o escritor Alexander Soljenitsyn. Em uma das muitas negociações secretas, um emissário soviético disse: “Se vocês ficarem quietos e não tocarem no assunto por alguns meses, pode ser. Se ficarem pedindo insistentemente, não dá.”

 As mentes retrógradas que teimam em ressuscitar a Guerra Fria na América Latina deveriam prestar mais atenção nas sutilezas. O governo Obama é uma oportunidade única de melhorar as relações com os EUA. Obviamente, como presidente dos EUA, ele vai defender os interesses americanos. Mas está disposto a ouvir. Esta é uma das principais mudanças da política externa americana no novo governo: em vez da arrogância dos neconservadores que chegaram ao poder com Bush em 2001, os EUA de Obama estão dispostos a ouvir. Querem saber o que os outros países querem.

Desperdiçar esta oportunidade em nome de um purismo ideológico é conversa para iludir ou acalmar o público interno. É a doença infantil do esquerdismo. O Brasil não caiu nessa cilada ideológica. Lula iniciou hoje um diálogo direto, sem submissão, com Barack Obama.


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